DES. CLARA LEITE DE RESENDE: MATRIARCA DA ESPERANÇA
Por Paulo César dos Santos¹
Era quinta-feira. Na Fazenda Angico, na pequena Riachuelo,
em Sergipe, o médico Sílvio César Leite e sua amada esposa, D. Guiomar Sampaio
Leite, viviam momentos singulares. Era o dia 27 de Junho de 1940. Nascia a
pequena Clara, amada por Deus e abençoada por todos os santos e santas. Menina
de traços finos e sorriso fácil, a todos encantava. Mas nunca fora frágil a
pequena Clara e desde a mais tenra idade já demonstrava a grandeza de espírito
digna dos fortes.
Estudiosa, aos 17 anos de idade conclui seu curso secundário
e ingressa na Faculdade de Direito de Sergipe, onde Bacharela-se em 1962,
passando a advogar até 1970, chegando a ser Conselheira da Seccional sergipana
da Ordem dos Advogados do Brasil. Magistrada desde 1970 – o Ano da Copa, passa
pelas Comarcas de Nossa Senhora da Glória (1970-1972), Frei Paulo (1972-1975),
Maruim e Estância (1975), vindo posteriormente a ocupar a 6ª. Vara Cível da
Comarca da Capital, Diretora do Fórum Gumercindo Bessa, Juíza Eleitoral da 2ª.
Zona de Aracaju, e torna-se, finalmente, a primeira Desembargadora do Tribunal
de Justiça do Estado de Sergipe, em 1º de Novembro de 1984, do qual fora
posteriormente Presidenta. Membro e presidente do Tribunal Regional Eleitoral,
Corregedora Eleitoral do Estado, Presidente do Conselho da Escola Superior da
Magistratura de Sergipe e Diretora da Escola Superior da Magistratura. Seus
incontáveis méritos a vez merecedora da Medalha do Mérito Serigy, em grau de
Comendadora, outorgado de forma justíssima pelo Município de Aracaju, no ano de
1973; Colar do Mérito Tobias Barreto do Ministério Público sergipano; e
diversas outras comendas, homenagens e prêmios.
Em 2004, num insofismável rasgo de justiça, a Desembargadora
Clara Leite de Resende assume a cátedra nº 07 da Academia Sergipana de Letras,
onde fora saudada pelo não menos culto Carlos Ayres Britto, hoje ex-Ministro da
Suprema Corte Brasileira.
Entre seus vínculos familiares, sempre presente esteve a
figura de seus irmãos, Professora Josefina Leite Campos, Elisa Sílvia,
Francisco Leite Neto, José Rollemberg Leite, Gonçalo Rollemberg Leite, Alfredo
Rollemberg, Fernando Leite Sampaio, e Márcio Rollemberg. Bem como o seu amado
marido Dr. Roberto Resende e seus filhos, sendo que somente um, o Prof. Ms.
Mácio Leite de Resende optara pelo Direito, e hoje ocupa com brilhantismo a
Procuradoria Geral do Estado.
Sobrinha do inesquecível Dr. Augusto César Leite e do
Senador Júlio César Leite, irmãos do seu pai Sílvio, a Desembargadora Dra.
Clara Leite de Resende sempre se filiou ao melhor do humanismo.
Sua presença no Tribunal de Justiça sergipense é signo
insofismável de uma mulher que, sendo única (como revelou à musa do colunismo
social sergipano, a jornalista Thaís Bezerra em entrevista amplamente divulgada
na imprensa local), se sente privilegiada por ser a única mulher no seio
familiar: é ela, Dr. Roberto Resende e seus dois filhos...), é verdadeira,
inteira, intelectual sensível às causas sociais. Suas decisões, de tão fortes e
sempre amparadas pela melhor Doutrina, são sempre vocacionadas a se tornar
jurisprudência com repercussão não somente nas cortes locais, mas também nos
tribunais superiores.
Essa artigo é dedicada a Douta e Justa Desembargadora Clara
Leite de Resende. Mas que ela nos perdoe a ousadia. Também a dedicamos à
memória do médico Dr. Silvio César Leite, seu pai, humanista convicto, que
exerceu sacerdotalmente seu múnus de médico em Riachelo, fundando hospital sem
fins lucrativos, maternidade que a todas às mães pobres acolhia, precocemente
falecido e que soube amar de forma intensa sem qualquer distinção.
Desembargadora Clara Leite de Resende,
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”
(Fernando Pessoa, in Tabacaria, 1928)
Em junho de 2010, a Desembargadora Clara Leite de Resende
deixa a Corte sergipana, sendo substituída pela Desembargadora Geni Silveira
Schuster.
Desembargadora Clara Leite de Resende, receba essa homenagem
desse sergipano de Estância – Sergipe, que traz em si “todos os sonhos do
mundo”.
¹Paulo César, jornalista filiado à ASI – Associação
Sergipana de Imprensa, poeta, biografo e escritor.
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