segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

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DES. CLARA LEITE DE RESENDE: MATRIARCA DA ESPERANÇA

Por Paulo César dos Santos¹

Era quinta-feira. Na Fazenda Angico, na pequena Riachuelo, em Sergipe, o médico Sílvio César Leite e sua amada esposa, D. Guiomar Sampaio Leite, viviam momentos singulares. Era o dia 27 de Junho de 1940. Nascia a pequena Clara, amada por Deus e abençoada por todos os santos e santas. Menina de traços finos e sorriso fácil, a todos encantava. Mas nunca fora frágil a pequena Clara e desde a mais tenra idade já demonstrava a grandeza de espírito digna dos fortes.
Estudiosa, aos 17 anos de idade conclui seu curso secundário e ingressa na Faculdade de Direito de Sergipe, onde Bacharela-se em 1962, passando a advogar até 1970, chegando a ser Conselheira da Seccional sergipana da Ordem dos Advogados do Brasil. Magistrada desde 1970 – o Ano da Copa, passa pelas Comarcas de Nossa Senhora da Glória (1970-1972), Frei Paulo (1972-1975), Maruim e Estância (1975), vindo posteriormente a ocupar a 6ª. Vara Cível da Comarca da Capital, Diretora do Fórum Gumercindo Bessa, Juíza Eleitoral da 2ª. Zona de Aracaju, e torna-se, finalmente, a primeira Desembargadora do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, em 1º de Novembro de 1984, do qual fora posteriormente Presidenta. Membro e presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Corregedora Eleitoral do Estado, Presidente do Conselho da Escola Superior da Magistratura de Sergipe e Diretora da Escola Superior da Magistratura. Seus incontáveis méritos a vez merecedora da Medalha do Mérito Serigy, em grau de Comendadora, outorgado de forma justíssima pelo Município de Aracaju, no ano de 1973; Colar do Mérito Tobias Barreto do Ministério Público sergipano; e diversas outras comendas, homenagens e prêmios.
Em 2004, num insofismável rasgo de justiça, a Desembargadora Clara Leite de Resende assume a cátedra nº 07 da Academia Sergipana de Letras, onde fora saudada pelo não menos culto Carlos Ayres Britto, hoje ex-Ministro da Suprema Corte Brasileira.
Entre seus vínculos familiares, sempre presente esteve a figura de seus irmãos, Professora Josefina Leite Campos, Elisa Sílvia, Francisco Leite Neto, José Rollemberg Leite, Gonçalo Rollemberg Leite, Alfredo Rollemberg, Fernando Leite Sampaio, e Márcio Rollemberg. Bem como o seu amado marido Dr. Roberto Resende e seus filhos, sendo que somente um, o Prof. Ms. Mácio Leite de Resende optara pelo Direito, e hoje ocupa com brilhantismo a Procuradoria Geral do Estado.
Sobrinha do inesquecível Dr. Augusto César Leite e do Senador Júlio César Leite, irmãos do seu pai Sílvio, a Desembargadora Dra. Clara Leite de Resende sempre se filiou ao melhor do humanismo.
Sua presença no Tribunal de Justiça sergipense é signo insofismável de uma mulher que, sendo única (como revelou à musa do colunismo social sergipano, a jornalista Thaís Bezerra em entrevista amplamente divulgada na imprensa local), se sente privilegiada por ser a única mulher no seio familiar: é ela, Dr. Roberto Resende e seus dois filhos...), é verdadeira, inteira, intelectual sensível às causas sociais. Suas decisões, de tão fortes e sempre amparadas pela melhor Doutrina, são sempre vocacionadas a se tornar jurisprudência com repercussão não somente nas cortes locais, mas também nos tribunais superiores.
Essa artigo é dedicada a Douta e Justa Desembargadora Clara Leite de Resende. Mas que ela nos perdoe a ousadia. Também a dedicamos à memória do médico Dr. Silvio César Leite, seu pai, humanista convicto, que exerceu sacerdotalmente seu múnus de médico em Riachelo, fundando hospital sem fins lucrativos, maternidade que a todas às mães pobres acolhia, precocemente falecido e que soube amar de forma intensa sem qualquer distinção.
Desembargadora Clara Leite de Resende,
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa, in Tabacaria, 1928)
Em junho de 2010, a Desembargadora Clara Leite de Resende deixa a Corte sergipana, sendo substituída pela Desembargadora Geni Silveira Schuster.
Desembargadora Clara Leite de Resende, receba essa homenagem desse sergipano de Estância – Sergipe, que traz em si “todos os sonhos do mundo”.


¹Paulo César, jornalista filiado à ASI – Associação Sergipana de Imprensa, poeta, biografo e escritor.

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